RESUMO:O texto discute a modernidade portuguesa da segunda metade do século XIX, focando na Geração de 70 e na figura de Eça de Queirós, que percebiam o descompasso entre Portugal e os centros europeus. Izabel Margato analisa como Eça, através de suas obras, especialmente "Os Maias", empregou o escárnio e a ironia para criticar a sociedade portuguesa, desde o baixo clero e a pequena burguesia até a alta sociedade do Ramalhete. A autora destaca a complexidade do projeto revolucionário de Eça, que, ao se desdobrar em romances como "O Crime do Padre Amaro" e "O Primo Basílio", revela uma viragem para a "ironia fina e corrosiva" e uma autocrítica da própria Geração de 70, questionando a capacidade de realização dos seus ideais de modernização.