Tiranias da modernidade (edição portuguesa) (2024)

A Multiplicidade de Fernando Pessoa e a Encenação da Vida Moderna

RESUMO:O texto de Izabel Margato analisa a modernidade de Fernando Pessoa, especialmente através do heterônimo Álvaro de Campos, argumentando que sua singularidade reside na incorporação da fragmentação, não apenas na representação dos elementos externos da Revolução Industrial, mas na própria constituição do seu eu poético. A autora explora a ambiguidade da celebração da modernidade por Campos e sua evolução para uma fase mais reflexiva e fragmentada, distanciando-se de Walt Whitman pela recusa da unificação conciliadora. Através da análise de poemas como "Ode Triunfal", "Lisbon revisited" e "Psiquetipia", Margato demonstra como Pessoa constrói uma poética da ausência, do eu dividido e do jogo de máscaras, onde a heteronímia se torna o traço distintivo de uma modernidade que, ao assimilar a fratura e a não-unidade, paradoxalmente, o torna "inteiro, unido, único" em sua multiplicidade. 

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