RESUMO:O texto de Izabel Margato analisa a construção do "poeta moderno" a partir de Charles Baudelaire, interpretado por Walter Benjamin, e a figura de Almada Negreiros como "Poeta de Orpheu, Futurista e Tudo". A autora descreve o semblante do poeta moderno como uma figura multifacetada (flâneur, esgrimista, apache, trapeiro), um herói que encena papéis em um cenário de fragmentação e vazio. Em seguida, explora a autoproclamação de Almada Negreiros como um ato de inscrição no Modernismo Português, que, sintonizado com a multiplicidade de Orpheu e a heteronímia pessoana, expressa uma consciência da "ferida" da civilização moderna. Margato demonstra como Almada responde a essa fragmentação com uma performance eufórica e uma escrita que, através de obras como o "Manifesto Anti-Dantas" e "A Invenção do Dia Claro", busca "reaver a inocência" e reinventar as palavras, culminando em uma "História de Portugal por Coeur" que revisita a memória coletiva e os emblemas nacionais, deslocando a poética da ingenuidade para uma perspectiva mais complexa e crítica.