Tiranias da modernidade (edição portuguesa) (2024)

Cesário Verde, o anjo da modernidade portuguesa

RESUMO:O texto analisa a poesia de Cesário Verde como o marco inaugural da modernidade nas letras portuguesas, destacando a incompreensão de seus contemporâneos da Geração de 70, que buscavam uma modernização de Portugal através de um projeto pedagógico e crítico. A autora, Izabel Margato, explora como Cesário, diferentemente de Eça de Queirós, por exemplo, apreende a cidade de Lisboa em sua singularidade e em seu processo de transformação, construindo um “eu” deambulador e um olhar “objetivamente duplo” que captura a fragmentação da realidade urbana e um erotismo moderno, pautado pela fugacidade e pela multidão. Através dessa "poética de ruptura" e da sobreposição de planos, Cesário antecipa a escrita moderna e desestabiliza o realismo da época, fazendo de sua obra, especialmente em "O Sentimento dum Ocidental", uma "produção de sentidos de realidade" que dialoga com a tradição (Camões) e projeta uma Lisboa em constante construção. 

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