Tiranias da modernidade (edição portuguesa) (2024)

Realismo, ou a arte de criar mundos

RESUMO:O texto de Izabel Margato analisa o conceito de realismo na obra "A Capital" de Eça de Queirós, questionando a ideia de fidelidade e cópia ao real e focando no entendimento particular do autor sobre o tema. A autora argumenta que, embora Eça e a Geração de 70 buscassem uma modernização de Portugal através de um realismo objetivo e científico, a representação da capital no romance é permeada pela ilusão e pela subjetividade. Ao contrastar a visão romântica e idealizada de Lisboa do personagem Artur Curvelo com a crítica irônica do narrador, o texto demonstra como Eça desestabiliza a objetividade almejada, evidenciando que o "olhar" não é um espelho passivo da realidade, mas um construtor ativo de mundos, capaz de selecionar e interpretar os fatos, resultando em uma complexa interação entre o desejo do personagem e a perspicácia crítica do escritor.

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